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Yoga, Saúde Mental e Equilíbrio Interior

10 de ago.
6 min de leitura


Yoga, Saúde Mental e Equilíbrio Interior

Uma prática de religação entre o corpo, a mente e a vida



Vivemos num tempo em que o stress, a ansiedade, as alterações do humor, a dificuldade em descansar e a sensação de estar permanentemente em alerta fazem parte da realidade de muitas pessoas. O ritmo acelerado da vida, as exigências profissionais, a constante exposição à informação e a dificuldade em encontrar momentos de verdadeira pausa podem afastar-nos, pouco a pouco, de algo essencial: a capacidade de simplesmente estar!

É neste contexto que o Yoga pode assumir um papel particularmente significativo.

A palavra Yoga tem origem no sânscrito, na raiz yuj, associada a unir, ligar, juntar ou colocar em relação. E talvez esta seja uma das formas mais bonitas de compreender a essência desta prática: Yoga é união.

União entre o corpo e a mente, entre a respiração e o movimento, entre aquilo que sentimos e aquilo que pensamos. Mas também, numa dimensão mais profunda, união entre o ser humano e a vida que o envolve.

Porque não existimos isoladamente.

Habitamos a Terra, respiramos a sua atmosfera, dependemos da água, da luz, dos alimentos e dos ciclos da natureza. A Terra faz parte do Sistema Solar, que por sua vez pertence à Via Láctea, inserida numa realidade cósmica infinitamente maior do que a nossa experiência individual.

O Yoga pode devolver-nos, simbolicamente, esta consciência de pertença. Recordar-nos que não somos seres separados da natureza e do Universo, mas parte integrante deles.


Muito mais do que exercício físico


É comum associar o Yoga às posições físicas. No entanto, reduzir o Yoga apenas ao exercício seria limitar profundamente aquilo que esta prática pode oferecer.

As posições fisicas, a respiração consciente, o relaxamento, a meditação e a atenção plena são diferentes caminhos que nos conduzem a um mesmo lugar: uma maior consciência de nós próprios e da nossa relação com o que nos rodeia.

Quando chegamos ao tapete e começamos a respirar conscientemente, começamos também a regressar ao corpo.

Sentimos onde existe tensão, onde existe desconforto e onde existe espaço. Observamos a respiração. Percebemos os pensamentos e as emoções. A mente, tantas vezes presa ao passado ou antecipando o futuro, encontra no corpo e na respiração um ponto de referência no presente.

É aqui que o Yoga pode tornar-se uma verdadeira ferramenta de autorregulação.

Não porque faça desaparecer os problemas da nossa vida, mas porque pode ensinar-nos a relacionarmo-nos de outra forma com eles.

Aprendemos a reconhecer a tensão antes que ela se acumule.

Aprendemos a respirar antes de reagir.

Aprendemos a observar um pensamento sem sermos obrigados a segui-lo. Aprendemos a permanecer presentes perante o desconforto.

Aprendemos, sobretudo, a criar um pequeno espaço entre aquilo que acontece e a forma como escolhemos responder.


O que nos diz a ciência?


A experiência de quem pratica Yoga tem despertado também um crescente interesse científico. Diferentes estudos e revisões sistemáticas sugerem que a prática regular pode contribuir para a redução do stress percebido e dos sintomas de depressão e pode também apresentar benefícios na ansiedade, no bem-estar psicológico e na qualidade de vida.

A investigação tem igualmente explorado os efeitos do Yoga sobre mecanismos relacionados com o stress e com a regulação do sistema nervoso autónomo, incluindo a variabilidade da frequência cardíaca.

Estes resultados são importantes, mas devem ser interpretados com equilíbrio. Os estudos utilizam diferentes tipos de Yoga, diferentes frequências e durações de prática e diferentes grupos de participantes. Por isso, não podemos falar do Yoga como uma solução universal ou como substituto de acompanhamento médico ou psicológico.

Podemos, sim, reconhecê-lo como uma prática complementar de saúde e de autocuidado, com potencial para apoiar o equilíbrio físico e psicológico.

E os benefícios não se limitam à dimensão emocional. Uma prática regular pode contribuir para melhorar a mobilidade, a flexibilidade, a força, o equilíbrio corporal e a qualidade do sono. E corpo e mente não são duas realidades independentes: aquilo que acontece num influencia inevitavelmente o outro.

Regularidade: mais importante do que perfeição

Não é necessário praticar Yoga todos os dias para que a prática possa fazer parte da nossa saúde e do nosso bem-estar.

Tal como acontece com tantas outras práticas, é a regularidade que permite criar uma relação continuada com aquilo que estamos a aprender. Algumas sessões por semana podem ser mais significativas do que uma prática intensa realizada ocasionalmente.

Mais importante do que procurar a prática perfeita é encontrar uma prática possível e sustentável.

Porque o Yoga não precisa de competir com a nossa vida. Deve encontrar um lugar dentro dela.

Pode ser uma hora no tapete. Pode ser alguns minutos de respiração consciente. Pode ser uma pequena sequência de movimentos ao acordar. Pode ser simplesmente parar, fechar os olhos e perceber como estamos.

Pouco a pouco, aquilo que aprendemos no tapete começa a acompanhar-nos fora dele.

Uma respiração mais consciente perante uma situação difícil. Um pouco mais de paciência. Maior capacidade de reconhecer o cansaço. Mais consciência dos nossos limites. A possibilidade de parar antes de chegar ao limite.

Um tubo de ensaio e um oásis

Gosto de pensar no espaço da prática como sendo simultaneamente um tubo de ensaio e um oásis.

Um tubo de ensaio porque é ali que experimentamos. Observamos o corpo, a respiração, os pensamentos, as emoções, os limites, as resistências e as nossas formas habituais de reagir. Aprendemos sobre nós próprios através da experiência.

Mas é também um oásis.

Um lugar onde, por alguns momentos, não precisamos de produzir, responder, resolver ou alcançar nada.

Podemos simplesmente parar.

Parar para respirar. Parar para sentir. Parar para escutar. Parar para nos reencontrarmos.

E talvez seja precisamente aqui que se encontra uma das maiores riquezas do Yoga.

A ciência pode ajudar-nos a compreender os seus efeitos sobre o corpo e a mente. A tradição pode ajudar-nos a compreender o seu propósito. Mas existe também aquilo que cada praticante descobre através da própria experiência.

Serenar não significa deixar de sentir. Significa criar espaço para sentir com maior consciência.

O Yoga não nos promete uma vida sem stress, ansiedade ou sofrimento. A vida continuará a trazer desafios, perdas, mudanças e momentos de incerteza.

O que pode mudar é a forma como nos encontramos perante tudo isso.

É neste sentido que vejo o Yoga não como uma fuga à vida, mas como uma forma de regressar à vida com maior presença;

Regressar ao corpo.

Regressar à respiração.

Regressar ao momento presente.

Regressar à relação connosco próprios.

E recordar que fazemos parte de algo muito maior do que o nosso pequeno universo individual.

No fundo, praticar Yoga é criar regularmente um espaço para voltar a casa.

A nós próprios, aos outros, à natureza e à própria vida.

Yoga é, em última análise, religação.


Para além da sensação de separação


Existe ainda uma dimensão mais profunda naquilo que o Yoga nos convida a experienciar: a ideia de que a separação que tantas vezes sentimos entre nós e os outros pode ser, em grande medida, uma construção da nossa perceção.

Vivemos cada um dentro da sua própria história, do seu corpo, dos seus pensamentos e das suas experiências. É natural que nos sintamos indivíduos separados. Mas, quando olhamos para além dessa experiência imediata, percebemos que estamos constantemente ligados.

Respiramos o mesmo ar. Habitamos a mesma Terra. Dependemos dos mesmos ciclos da natureza. A matéria que constitui o nosso corpo pertence à mesma história cósmica que deu origem ao mundo que nos rodeia.

Somos, de certa forma, habitantes de um enorme caldo cósmico, uma realidade partilhada na qual tudo está permanentemente em relação.

O Yoga convida-nos a experimentar esta ligação não apenas como uma ideia, mas como uma possibilidade de consciência. Quando o corpo abranda e a mente se aquieta, podemos começar a sentir que os limites que imaginamos

-entre “eu” e “o outro”,

entre “eu” e a natureza,

entre “eu” e o mundo,

talvez não sejam tão absolutos como habitualmente pensamos.

A sensação de separação pode ser uma ilusão criada pela própria mente.

E quando essa sensação se dissolve, ainda que por breves momentos, pode surgir uma experiência de pertença: a sensação de que não estamos isolados, de que fazemos parte de uma mesma realidade.


Somos muitos na forma, mas um na existência.


É esta talvez uma das dimensões mais profundas da palavra Yoga: unir aquilo que julgamos separado.

Unir corpo e mente.

Unir respiração e consciência.

Unir o indivíduo à comunidade.

Unir o ser humano à natureza.

E, numa dimensão mais profunda, reconhecer que todos participamos da mesma existência.

Somos todos UM.

Não no sentido de deixarmos de ser indivíduos, mas no sentido de compreendermos que a nossa individualidade existe dentro de uma realidade maior que nos envolve, nos sustenta e da qual fazemos parte.

Talvez seja isso que o Yoga procura recordar-nos quando nos convida a parar, respirar e olhar para dentro: que, quando nos reconectamos verdadeiramente connosco, podemos também começar a reconhecer a ligação que sempre existiu com tudo aquilo que nos rodeia.


Pratique Yoga! Faça da sua Saúde um Hábito!

 
 
 

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